Di – Agora é a minha vez.
Cantei, dei o microfone pra Julie e acabei dormindo, sonhando com o garoto.
Dessa vez foi diferente. Eu estava em uma praia. Era uma praia diferente, que eu nunca vi, mas de alguma forma a conhecia mais do que imaginava. Estava com uma expressão triste, como se algo tivesse errado. O tal garoto apareceu do meu lado, e deu um lindo sorriso, coisa que eu nunca tinha reparado nos outros sonhos que tive.
Di – Justin?
De alguma forma, naquele sonho, sabia o nome dele. Agora eu descubro quem é esse cara, de qualquer forma!
Jus – Pensando em que, Dianna?
Di – Eu briguei com o Dan. Mais uma vez.
Jus – Sabe, eu acho que você deveria se afastar dele um pouco e conhecer outras pessoas. Outros caras. Tipo... – ele chegou cada vez mais perto de mim – eu.
Ele fez exatamente o que eu pensei (claro, o sonho é meu! Mas eu nem posso mudar): me beijou. Aquele beijo... Eu realmente conhecia aquele beijo... Mas eu nunca tinha visto ele na vida! Sequer tinha beijado ele! Mas eu o conhecia, eu conhecia aquele beijo, e sentia algo por ele... DIANNA, ACORDA!
Acordei assustada, e as garotas ainda estavam cantando. Eu vi alguma coisa terrível, mas não lembrava o que era. Era algo assustador, e eu me assustei tanto que gritei.
Dan entrou pela porta do meu quarto, e eu ainda estava apavorada.
Dan – O que foi, Dianna?
Di – Não sei, não sei. Eu sonhei com alguma coisa ruim, muito ruim e acordei gritando.
Dan – Quer que eu traga um copo d’água pra você?
Di – Tá.
Ele desceu bem rápido, e cheguei até a ficar assustada. As garotas estavam com uma cara de preocupadas.
Lilly – O que aconteceu? O que você viu?
Di – Eu... Eu não... não sei. Eu só sei que foi uma coisa tão horrível que eu me assustei.
Dan – Aqui o seu copo d’água. Podem nos deixar sozinhos?
Elas saíram e só ficamos eu e ele. Ele pareceu estar preocupado. Bebi um pouco da água que ele me deu. Ele sentou e segurou as minhas mãos.
Dan – Foi aquele cara de novo, não foi?
Di – Bem... Antes foi.
Dan – E depois... O pesadelo. O que aconteceu dessa vez?
Di – Eu estava numa praia que nunca vi, mas eu conhecia ela. Depois ele apareceu com um sorriso lindo, sentou do meu lado e eu disse que tinha brigado com você. Ele falou que era pra eu conhecer outras pessoas, outros caras, tipo... ele. E me beijou. Aí eu sonhei com alguma coisa de... briga. Uma briga muito ruim, que poderia mudar as nossas vidas. Mas eu não lembro quem brigava com quem.
Dan – Se lembra das vozes?
Di – Não. Eu só me lembro dos gestos, dos gritos, só não me lembro o que era. Mas depois dessa briga... Eu não sei... Tinha algo pior.
Dan – Não vou forçar você a dizer mais nada, senão eu nem sei o que acontece.
Di – Fica aqui comigo?
Dan – Tá. Eu fico.
Ele tirou os sapatos, tirou os meus e eu deitei no colo dele. Dormi de novo, mas dessa vez, não era o tal Justin, mas sim, o Dan.
Estávamos em um quarto, ele segurando as minhas mãos, eu estava dormindo. Ele me deu um beijo na testa, e começou a chorar. Estava segurando, mas eu o conhecia: ele estava realmente chorando. Me deixou na cama e saiu, mas antes se acalmou e lavou a cara: como se não tivesse chorado. Ele foi para a sala, e lá estavam Justin, Lilly, Jeferson, Julie e Caio. Lilly estava chorando, e Julie estava se controlando.
Jus – Como é que ela tá? Aconteceu alguma coisa? – ele se levantou, desesperado.
Dan – Ela ainda não acordou. Mas parece ainda muito mal.
De repente, de outra porta apareceu Bianca, aos prantos, acompanhada de um garoto. Eu reconhecia aquele rosto: era Lucas, um amigo meu.
Lucas – Calma, Bia, ela vai ficar bem.
Bia – Não dá, Cas, não dá.
Ela tentava se controlar, mas não conseguia, e Lucas a amparava. Ele ajudou ela a se sentar.
Jus – Vou vê-la.
Ele entrou no quarto onde eu estava. Ainda estava desacordada, mas estava muito pálida. Agora eu percebia o que eu estava usando: um vestido floral de cintura marcada, do qual eu nunca vi.
Jus – Meu amor... Por que você teve que fazer aquilo? Por que EU tive que fazer aquilo?
Ele se ajoelhou ao lado da cama, e segurou minha mão, acariciando-a. Caiu uma lágrima sobre seu rosto, ele começou a chorar. Se aproximou do meu rosto, e uma lágrima caiu sobre ele, e de alguma forma eu senti aquilo.
Jus – Eu sei que a culpa de tudo foi minha, você tinha razão... Me perdoa? Por favor, Dianna... Se você... se você morrer, eu nunca mais vou me perdoar. E sem o seu sorriso, seus olhos brilhantes e seu amor... Sem você eu não consigo viver.
Ele se aproximou mais de mim, e nossos lábios se tocaram. Ele me beijou. Eu pude realmente sentir seu beijo. Ele me segurou pelas costas. Eu estava mole, e então ele parou. Me pegou no colo, me abraçando. Quando ele me colocou de volta na cama, me cobriu e deixou um pingente. Era um pingente de coração, que ele colocou em cima do meu coração. Depois olhou para a minha mão, que tinha a marca de um coração em um dos dedos. Depois que ele se afastou, saiu me deixando sozinha.
Ele foi novamente pra sala, e Dan estava chorando, tentando se controlar, de cabeça baixa. Estava tudo ótimo: Justin, Dan, Bia e Lilly chorando, eu não sabendo o que aconteceu comigo e ainda por cima, ninguém abre a boca pra falar o que eu tenho.
Dan – Tudo isso acontece e a culpa é sua, Justin. Por que não salvou ela? Por que deixou ela ser atropelada? POR QUE?
Jus – Eu não... não sei.
Ele desabou com os joelhos no chão. Abaixou a cabeça e tentou não chorar, mas as lágrimas caíam uma atrás da outra.
Julie se levantou e ajudou Justin.
Ju – Justin, fica forte. Eu sei que você não vai parar de sofrer enquanto ela ficar bem, mas a culpa não é sua.
Jus – Eu sei que a culpa é minha. Eu deveria estar no lugar dela. Aliás, eu deveria estar morto e ela vivendo a vida dela, sorrindo, se divertindo, como se eu nunca tivesse existido na vida dela.
Ju – Não fala assim. Vem, levanta e se acalma.
Ela ajudou ele a levantar, e eles sentaram no sofá. Apesar de tudo estar daquele jeito, ela conseguiu dar um sorriso confiante para Justin.
Ju – Eu sei que você vai superar. Está no poder do nome com J.
Jus – Obrigado por tentar me alegrar.
Ju – E, cara, aqui é o Canadá! Onde você nasceu, foi criado, ganhou amigos verdadeiros...
Eu não acreditava que estávamos no Canadá. Então eu fui perceber onde estávamos: em um hospital. A cena mudou. Eu pude me ver empurrando Justin e sendo jogada pra longe por um carro. Um Range Rover, que logo depois foi embora. Justin me pegou no colo, eu estava com muito sangue.
Acordei assustada com a cena. Sem querer acordei Dan. Ele ficou meio assustado, de início, mas logo percebeu o que estava acontecendo.
Dan – O que aconteceu?
Contei-o sobre o hospital, mas não tinha coragem de contar sobre o atropelamento.
Dan – E o pesadelo?
Di – Eu me vi empurrando o Justin e fui jogada pra longe por um Range Rover – ele engoliu em seco – que foi embora, como se nada tivesse acontecido. Justin foi me pegar no colo, e eu vi que estava sangrando muito, com muito sangue... Não gosto de lembrar disso.
Dan – Se acalma. Eu sei que você tem fobia a sangue, mas se acalma.
Di – Dan... Eu preciso saber quem é esse tal de Justin. Você me ajuda? Estávamos no Canadá.
Dan – Eu ouvi a conversa com o Je. Talvez o seu pai vá receber transferência, sim. Talvez todos os nossos pais.
Di – Eu sei, eu sei. Então temos de esperar?
Dan – Bem... Sim. Vamos lá pra baixo. Deve estar dando Bob Esponja.
Di – Liga a TV aí.
Ele ligou a TV. Estava realmente passando Bob Esponja. Ficamos lá até que acabou, e todo mundo que tava lá embaixo veio.
Di – Oi, Sofia! Tudo bem?
So (Sofia) – Tudo, e você?
Di – Ah, normal.
So – O que houve?
Di – Um assunto pessoal meu.
So – Ah... Bem, a gente estava combinando de amanhã dormir na casa da Paty.
Di – A Patrícia? Faz uns 5 anos que eu não vejo ela, tirando as festas da empresa.
So – Então, a minha mãe me ligou dizendo que eles receberam transferência lá pro Canadá. Vai que o seu pai recebeu? E a mãe da Paty disse que a mãe dela recebeu pro Canadá também. É a mesma empresa da sua mãe. Vai que!
Di – Sofia, agora eu não poderia ter uma notícia melhor.
So – Jura?
Di – Juro.
MM – Filha, o seu pai acabou de ligar, e disse que recebeu transferência na empresa. A gente vai pro Canadá! E a minha empresa ligou ontem, dizendo que eu também recebi. Filha, a gente vai sabe pra onde? Pro Canadá!
Di – É, mãe, você acabou de dizer isso. Tipo, é a melhor notícia que eu já recebi hoje. Mãe, o pai do Je recebeu transferência pros Estados Unidos. E algumas pessoas de SP também.
MM – Bem, são ótimas notícias. E, crianças, os seus pais também receberam!
Todos (e eu) – AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!
1 semana depois
MM – Filha! Filha! Vamos acordar pra se arrumar e terminar as malas? Você dormiu em cima do vestido de renda que a sua vó fez pra você.
Di – Aii, tia, deixa eu dormir só mais um pouquinho...
MM – Olha lá! O Logan Lerman tá bem ali, Dianna!
Di – Onde? Onde? Cadê? Dá autógrafo?
MM – Você caiu como um patinho.
Di – Hunf... Bem, vou tomar banho e arrumar o resto das malas, já que foram preciso algumas várias bolsas, né?
MM – Tá bom, filha. Escolhe uma roupa de frio, porque lá tá inverno!
Di – Tá, tá. E “O Canadá é muito frio”. Mãe, você me falou ontem isso umas 5 vezes!
MM – Ok, vai logo tomar seu banho.
Fui tomar meu sagradíssimo sagrado banho, e depois escolher a roupa. Acabei escolhendo uma roupa de frio e confortável para viajar.
Quando desci, vi o meu irmão vendo as porcarias que ele geralmente costuma assistir. O meu pai finalmente parou em casa, estava na cozinha lendo jornal, a mamãe na cozinha fazendo café e as malas ainda na sala.
MM – Filha, vai terminar de fazer as suas malas, pra gente colocar tudo na mala do carro.
Di –Mãe, cadê aquele vestido florido que eu comprei mês passado?
MM – Tá junto com os outros vestidos, mas eu acho que tá junto com um listrado.
Di – Ok, valeu.
Subi e terminei de arrumar as malas, desci com aquela mala gigante e as nécessaires extras (frescurinhas necessárias rsrsrs’).
Continua

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